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Fora Trump! Em defesa da saúde e da paz

É simplesmente inadmissível a postura do presidente dos EUA, Donald Trump. Mais uma vez, ele passou ridículo perante o mundo, protagonizando um verdadeiro vexame sem fronteiras. Ao publicar em suas redes sociais uma imagem em que aparece com vestes de Jesus Cristo, no mesmo dia em que atacou o Papa Leão XIV, tratando-o como um “inimigo”, Trump escancara o seu desprezo pela ética, pela fé e pela diplomacia global.

Não estamos falando de estética, estamos falando de narrativa. Trata-se de uma construção perversa que tenta transformar poder em virtude e esconder, por trás de uma imagem “santificada”, uma política marcada por guerras, genocídio, ganância pelo petróleo, mentiras, intervencionismo e o caos. Diante disso, é nosso dever desmascarar essa história e apresentar a versão condizente com a realidade para quem repudia a mentira.

Trump é uma ameaça direta à sobrevivência da humanidade. Enquanto o mundo clama por estabilidade, o presidente norte-americano dobra a aposta na violência. Recentemente, Trump declarou que irá destruir qualquer navio iraniano que se aproxime do bloqueio marítimo imposto pelos EUA. Essa agressividade não é isolada, ele já sinaliza que, após o fim da guerra no Irã, seu próximo alvo pode ser Cuba, sufocando ainda mais uma nação que resiste há décadas a embargos criminosos.

Essa estratégia de dominação também golpeia a nossa América Latina. O ataque à soberania da Venezuela, sequestrando o presidente Maduro, ataque ao PIX e a imposição de tarifas comerciais contra o Brasil, não são fatos desconectados. Fazem parte de uma mesma engrenagem do imperialismo que utiliza o “tarifaço” e guerras como arma econômica para desestabilizar governos e submeter economias periféricas aos interesses de Washington.

Como deputado federal e militante em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), vejo com extrema preocupação o impacto dessas guerras e bloqueios na saúde. A guerra não destrói apenas infraestruturas; ela interrompe fluxos de medicamentos, destrói sistemas sanitários, já bombardeou hospitais e condena populações inteiras à miséria e à doença. Defender a paz é, intrinsecamente, defender a saúde.

O messianismo de fachada de Trump não engana quem luta pela justiça social. Um homem que ameaça a paz mundial e utiliza a guerra, fome e a sanção econômica como ferramentas de gestão não pode ser associado a figuras de paz. Pelo fim do intervencionismo, pelo respeito à soberania dos povos e pela garantia do direito à vida! Fora Trump!

Federação Brasil Esperança exige defesa do nosso projeto político

O mandato do deputado federal Jorge Solla (PT-BA) vem a público manifestar profunda estranheza e indignação com a postura do vereador André Fraga (PV), que, mesmo integrando uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores, reafirma publicamente sua fidelidade política ao grupo de ACM Neto e ao prefeito Bruno Reis.


A existência de uma federação não é um mero arranjo burocrático para garantir a sobrevivência eleitoral de mandatos isolados; é uma união baseada em unidade programática e estratégica.


É inadmissível que um parlamentar utilize a legenda da federação para buscar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia enquanto atua como linha de frente de um projeto político que combate ferozmente as diretrizes do governo Lula e do governador Jerônimo Rodrigues.


André Fraga afirma que sua união ao PT “não muda o apoio a ACM Neto”. Ora, se o vereador não se sente confortável no campo progressista, que busque o caminho da desfiliação. Não é ético usufruir da estrutura de uma federação de esquerda enquanto se comporta como empregado de Bruno Reis.


A possibilidade de eleger Fraga como deputado estadual dentro da nossa federação é um “cavalo de Troia” para a base governista. Não podemos permitir que votos de eleitores que acreditam no projeto do PT, de Lula, Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Wagner e de seus aliados sirvam para fortalecer um quadro que, no dia seguinte à posse, entregará o mandato aos interesses do carlismo.


Falta de Respeito ao Eleitor! A política exige lado. O vereador declarou não temer “represálias”, mas o que está em jogo não é medo, é respeito à militância.


Quem é base de Bruno Reis e aliado de primeira hora de ACM Neto não tem legitimidade para caminhar sob a bandeira que defende a reconstrução do Brasil e o avanço da Bahia.


Nosso mandato defende que todos os candidatos da federação façam campanha para nossos candidatos Lula (presidente), Jerônimo Rodrigues (governo do Estado), Rui Costa (senado) e Wagner (senado).


A federação deve servir para unir aqueles que possuem projetos convergentes para o povo baiano. Manter figuras que operam abertamente no campo adversário é um erro estratégico que nós vamos continuar denunciando. Política se faz com princípios, não com conveniência.


Neste sentido, compreendemos que não podemos dar legenda para André Fraga em virtude do seu comportamento. Conclamamos a direção dos partidos que compõem a Federação a não aceitar candidaturas dessa natureza.

Fim da escala 6×1 também é questão de saúde

Por Jorge Solla

Ao longo de mais de quatro décadas atuando como médico e gestor do Sistema Único de Saúde, aprendi uma lição fundamental: a maior parte das doenças que tratamos nos hospitais começa muito antes da porta de entrada da unidade de saúde. Começa nas condições de vida e de trabalho.

É por isso que o debate sobre o fim da escala 6×1 não pode ser tratado apenas como uma pauta trabalhista. Embora a dimensão laboral seja essencial nesta pauta, trata-se também de uma questão de saúde pública. E, na esteira disso, de desigualdades sociais estruturantes.

Em 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgaram um estudo global demonstrando que jornadas superiores a 55 horas semanais estão associadas a um aumento de 35% no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de 17% no risco de morte por doença isquêmica do coração, quando comparadas a jornadas de 35 a 40 horas semanais. Estamos falando de centenas de milhares de mortes prematuras no mundo relacionadas diretamente ao excesso de trabalho.

Mesmo quando a carga horária formal não ultrapassa esse limite, a lógica de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso produz desgaste acumulado, especialmente em contextos de transporte precário, múltiplos vínculos empregatícios e dupla jornada doméstica — realidade que atinge majoritariamente mulheres e trabalhadores pobres e negros que vivem nas periferias, subúrbios e favelas.

No Brasil, segundo dados do IBGE, a população negra e as mulheres são a maioria dos trabalhadores dos setores de comércio e serviços, onde a escala 6×1 é mais comum. Isso significa que o impacto do desgaste não é neutro. Ao contrário, ele recai sobre quem já enfrenta maior vulnerabilidade social.

A ciência também é clara quanto aos efeitos sobre a saúde mental dessas condições laborais. Jornadas prolongadas aumentam a incidência de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. No Brasil, os transtornos mentais já figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho segundo dados da Previdência Social. Não estamos falando de casos isolados, mas de um padrão epidemiológico.

Quem absorve essa conta? O SUS.

Crises hipertensivas, infartos, transtornos de ansiedade, dores osteomusculares, acidentes de trabalho e afastamentos previdenciários pressionam o sistema público de saúde. O custo do adoecimento relacionado ao trabalho não aparece apenas na folha das empresas — ele aparece nas emergências, nas filas de atendimento e nos gastos públicos com procedimentos de alta complexidade que poderiam ser evitados.

Como sanitarista, sei que as condições de trabalho são determinantes sociais da saúde. Assim como saneamento reduz doenças infecciosas, políticas de proteção ao trabalhador reduzem doenças crônicas e sofrimento mental. Saúde não é apenas assistência, é também prevenção – cuidado que acaba sendo “luxo” para trabalhadores que trabalham 6×1 e, além de viver as condições precárias de trabalho, sequer possuem tempo para atendimento nas unidades básicas de saúde, onde a maioria das comorbidades deveriam ser controladas e evitadas antes mesmo de se instalarem.

Há ainda um argumento econômico frequentemente ignorado nesta discussão. Países que avançaram na redução da jornada de trabalho registraram aumento de produtividade por hora trabalhada, menor número de faltas e atrasos e redução de afastamentos por adoecimento.

A manutenção de jornadas extenuantes como regra revela um modelo de desenvolvimento que transfere o custo do crescimento para o corpo do trabalhador. É a desigualdade se expressando em hipertensão, ansiedade e esgotamento.

Defender o fim da escala 6×1 não significa ignorar a complexidade econômica do país, mas reconhecer que crescimento sustentável exige trabalhadores saudáveis, compreendendo que o direito ao descanso é parte da política de prevenção em saúde.

O Brasil já avançou quando aprendeu, lá atrás, que vacinação em massa salva vidas, tornando-se referência mundial em imunização. Já avançou também quando estruturou o SUS como política universal. Agora é hora de avançar também quando o tema é saúde do trabalhador, alterando as regras trabalhistas para proteger vidas.

O direito ao descanso adequado não pode ser visto como privilégio. Trata-se de um instrumento de redução de desigualdade, de proteção à vida e de fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Se queremos um país mais produtivo, mais justo e mais saudável, precisamos começar reconhecendo que trabalhar até adoecer não pode ser normal. O custo dessa equação é alto demais para o SUS – o que ainda precisamos estimar financeiramente –, mas a aprovação de uma mudança pode representar, a longo prazo, resultados positivos para a saúde pública.