“Governo Lula corrige erro de antecessor”, diz Solla sobre suspensão da importação de cacau

O Despacho Decisório Nº 456, publicado nesta segunda-feira (23) pelo Ministério da Agricultura, para suspender a importação de cacau da Costa do Marfim corrige o erro da Instrução Normativa 125, que autorizou a medida no governo Jair Bolsonaro, desde 2021.
Essa é a avaliação do deputado federal Jorge Solla (PT-BA), que, nos últimos meses, realizou um périplo por Brasília com representantes da ANPC (Associação Nacional de Produtores de Cacau) para alertar o Governo Federal sobre a urgência de suspender a importação.
A suspensão da importação fundamenta-se no risco fitossanitário decorrente do elevado fluxo de grãos de países vizinhos para o território marfinense, o que possibilita a mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil, segundo o despacho do ministério.
“O desgoverno Bolsonaro provocou uma segunda praga para os produtores de cacau da Bahia, depois da vassoura de bruxa”, disse Solla, ao lembrar do fungo que devastou as plantações da Bahia a partir dos anos 1980 e levou à falência os produtores do estado.
Solla levou representantes da ANPC a agendas com os ministros Rui Costa, da Casa Civil, Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Carlos Fávaro, da Agricultura, com quem reforçou a pauta durante a missão oficial do Brasil na Ásia nas duas últimas semanas.
“Para variar, o governo do presidente Lula teve que corrigir mais um erro da administração passada, logo ela, que se dizia defensora do agronegócio no país. Mas quem impulsionou o setor e a agricultura familiar no Brasil sempre foram as gestões petistas”, reiterou.
Queda na cotação
No ano passado, a arroba do cacau em Ilhéus custava em média R$ 803,69, valor que despencou para uma média de R$ 238,19, de acordo com informações do painel de cotações da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb).
“Agora, com o despacho, a expectativa dos produtores é que a cotação retome aos níveis anteriores. Pois eles estão com dificuldades operacionais e, até mesmo, do próprio sustento, já que boa parte advém da agricultura familiar”, informa Solla.
O que diz o despacho
O despacho também determina que as secretarias de Comércio e Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária adotem procedimentos para averiguar a triangulação de amêndoas fermentadas e secas de cacau da Costa do Marfim, com possíveis implicações fitossanitárias.
O documento ainda pede garantias de que os envios da Costa não apresentem risco de conter amêndoas de cacau produzidas em países vizinhos, cujo status fitossanitário da cultura é desconhecido e cuja exportação ao Brasil é de origem não autorizada.
