Solla leva comissão da Câmara para nova visita técnica ao estaleiro Enseada

Foto: Ricardo Stuckert
Integrantes da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados devem chegar a Salvador, na próxima quinta-feira (7), para nova visita técnica ao estaleiro Enseada proposta por requerimento do deputado federal Jorge Solla (PT-BA).
Representante no estado da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Indústria Naval, Solla lutou pela retomada da produção na planta industrial em Maragogipe (BA). Na primeira visita técnica pela CFFC, em agosto de 2023, Solla conseguiu reunir mais 100 pessoas.
Estiveram presentes lideranças políticas (deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores), entidades representativas da classe trabalhadora, membros do setor produtivo, além das diretorias do Enseada e da Novonor, acionista do estaleiro.
“Felizmente, conseguimos chamar a atenção do presidente Lula, que, dois anos após nossa primeira visita, veio à Bahia anunciar, em outubro passado, mais de R$ 2,6 bilhões em investimentos da Petrobras para as primeiras encomendas do estaleiro”, comemorou Solla.
Segundo o deputado, o objetivo da próxima visita é acompanhar o andamento da operação do estaleiro, além das tratativas para início da construção das seis embarcações encomendadas pela Petrobras na Bahia, para atividades de controle de vazamentos em alto-mar.
De acordo com informações da Novonor, o início desta operação está previsto para o segundo semestre de 2026. Atualmente, o estaleiro trabalha na construção de até 80 barcaças para o transporte de minérios para o cliente LHG Mining.
“Como membro da comissão, cabe a nós fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, mas também fazer as devidas provocações, como as audiências públicas que realizamos para tratar do tema desde que o estaleiro teve as atividades suspensas, ainda em 2014”, lembra Solla.
Erguido pelo consórcio formado pela então Odebrecht (atual Novonor), Kawasaki, OAS e UTC, em São Roque do Paraguaçu, o estaleiro teve as atividades suspensas no âmbito da Operação Lava Jato, sem ter produzido uma embarcação sequer.
Impactos da Lava Jato
“À época, denunciamos o projeto de poder disposto a destruir a economia nacional para ganhar as eleições. A história comprovou: o então juiz Sérgio Moro prendeu o presidente Lula sem provas, virou ministro de Bolsonaro, se elegeu senador e, agora, é do PL”, apontou.
Como consequência, a estrutura que chegou a gerar 7.462 empregos diretos, 3.588 deles somente na cidade de Maragogipe – o equivalente a 75% dos empregos formais daquele município – passou a operar nos últimos anos com apenas 50 funcionários.
A movimentação das obras do estaleiro levou à abertura de cerca de 7 mil empresas na região. “Além de as empresas fecharem, centenas de jovens que foram enviados para o exterior, para treinamento de ponta, voltaram a praticar a pesca artesanal”, recorda Solla.
A título de comparação, Solla lembra, ainda, de uma visita técnica à sede da fabricante inglesa Rolls Royce, em 2016, quando foi indagado pelos auditores locais como os deputados “permitiram” a destruição das maiores empresas nacionais no decorrer da Lava Jato.
“Fomos entender como o Reino Unido investigava casos de corrupção nas empresas. Lá, os envolvidos são afastados e a empresa segue. O que houve no Brasil foi um crime. E os criminosos ainda foram ‘premiados’ com cargos públicos”, condenou.
